Gastroenterologia
Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Refluxo gastroesofágico é quando o ácido do estômago volta pro esôfago, causando azia e queimação no peito.
Conteúdo educacional — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.
etiologia
O esfíncter esofágico inferior, uma válvula muscular entre o esôfago e o estômago, relaxa de forma inadequada ou está enfraquecido, permitindo que o ácido suba — obesidade, hérnia de hiato e alguns alimentos favorecem esse relaxamento.
quadro clinico
Azia (queimação atrás do osso do peito), regurgitação ácida, e às vezes tosse crônica ou rouquidão são os sintomas mais comuns, geralmente piorando após refeições grandes ou ao deitar.
Diagnóstico
O diagnóstico costuma ser clínico quando os sintomas são típicos; endoscopia digestiva alta é indicada em casos de sinais de alarme ou sintomas persistentes apesar do tratamento.
Tratamento
Inibidor de bomba de prótons é primeira linha para controle dos sintomas e cicatrização da esofagite; medidas de estilo de vida (perda de peso, elevar a cabeceira da cama) complementam o tratamento.
Força: forte · Evidência: alta · v1
complicacoes
Refluxo não tratado por muito tempo pode causar esofagite, estreitamento do esôfago, e o Esôfago de Barrett — uma alteração da mucosa que aumenta o risco de câncer de esôfago.
Quando procurar um médico
- dificuldade ou dor para engolir
- perda de peso não intencional
- sangramento digestivo (fezes escurecidas ou vômito com sangue)
- dor torácica intensa (descartar causa cardíaca)
Dados clínicos
Fatores de risco
- obesidade
- hérnia de hiato
- gravidez
- tabagismo
- consumo de café, álcool e alimentos gordurosos
Exames recomendados
- endoscopia digestiva alta (casos com sinais de alarme)
- pHmetria esofágica (casos duvidosos ou refratários)
Medicações
- Omeprazol · inibidor de bomba de prótons
Diretrizes
- Federação Brasileira de Gastroenterologia (2021)
Prognóstico
Bom com tratamento e mudança de hábitos — a maioria controla bem os sintomas; casos crônicos não tratados têm risco aumentado de complicações esofágicas.
Você sabia?
- A DRGE afeta cerca de 12% da população brasileira, segundo estudos publicados na literatura médica nacional.
- 'Azia' vem do latim acidus (ácido) — o termo já descrevia a sensação de queimação muito antes de se entender a fisiologia por trás dela.
- Alguns alimentos considerados 'gatilho' clássico do refluxo (café, chocolate, menta, frituras) relaxam diretamente o esfíncter esofágico inferior.
Perguntas frequentes
Refluxo é a mesma coisa que gastrite?
Não — a gastrite é a inflamação da parede do estômago, e o refluxo é o retorno do ácido pro esôfago; podem ocorrer juntos, mas são condições diferentes com tratamentos que se sobrepõem só em parte.
Comer tarde da noite piora o refluxo?
Sim — deitar logo após comer facilita o refluxo do conteúdo do estômago, por isso a recomendação de esperar pelo menos 2-3 horas entre a última refeição e ir dormir.
Refluxo frequente pode virar algo mais sério?
Pode — refluxo crônico não tratado é o principal fator de risco para o Esôfago de Barrett, uma alteração da mucosa que precisa de acompanhamento por aumentar o risco de câncer de esôfago.